Intervalo em Rima – Araucária

DURAÇÃO: 1 MINUTOS

Exibido em: 27/05/15

Araucária, de Helena Kolody, é o Intervalo em Rima da vez!
Confira a interpretação deste poema por Felipe Frutuoso!

Araucária
Nasci forte e altiva,
Solitária.
Ascendo em linha reta
– Uma coluna verde-escura
No verde cambiante da campina.
Estendo braços hirtos e serenos

Não há na minha fronte
Nem veludos quentes de folhas
Nem risos vermelhos de flores,
Nem vinhos estoantes de perfumes.
Só há o odor agreste da resina
E o sabor primitivo dos frutos.

Espalmo a taça verde no infinito.
Embalo o sono dos ninhos
Ocultos em meus espinhos,
Na silente nudez do meu isolamento.

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Intervalo em Rima – Entra Cantando, Apolo!

DURAÇÃO: 1 MINUTO

Elton Luiz Rodrigues interpreta, neste Intervalo em Rima, a poesia de Machado de Assis “Entra Cantando, Apolo!”.

Entra cantando, entra cantando, Apolo!
Entra sem cerimônia, a casa é tua;
Solta versos ao sol, solta-os à lua,
Toca a lira divina, alteia o colo.

Não te embarace esta cabeça nua;
Se não possui as primitivas heras,
Vibra-lhe ainda a intensa vida sua,
E há outonos que valem primaveras.

Aqui verás alegre a casa e a gente,
Os adorados filhos, — terno e brando
Consolo ao coração que os ama e sente.

E ouvirás inda o eco reboando
Do canto dele, que terás presente.
Entra cantando, Apolo, entra cantando.

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Intervalo em Rima – Minha Grande Ternura

DURAÇÃO: 1 MINUTOS

Neste Intervalo em Rima, você confere a poesia “Minha Grande Ternura”, de Manuel Bandeira!

Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos;
Pelas pequeninas aranhas.

Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser.
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.

Minha grande ternura
Pelos poemas que
Não consegui realizar.

Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.

Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite de um túmulo.

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Intervalo em Rima – O Apanhador de Desperdícios

DURAÇÃO: 1 MINUTOS

Neste Intervalo em Rima, você confere a poesia “O Apanhador de Desperdícios”, de Manoel de Barros!
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios

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Intervalo em Rima – Traduzir-se

DURAÇÃO: 1 MINUTO

O Intervalo em Rimas é um programete que roda nos intervalos da programação da UFPR TV. Nesta edição, o poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar, é interpretado pelo ator Elton Luiz Rodrigues!

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

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Intervalo em Rimas – Se Eu Fosse um Padre

DURAÇÃO: 1 MINUTO

O Intervalo em Rimas é um programete que roda nos intervalos da programação da UFPR TV. Nesta edição, o poema “Se eu fosse um padre”, de Mario Quintana, é interpretado pelo ator Felipe Frutuoso.

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
…e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

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